*Telmo*, aterrado. Ouvistes?

*Magdalena*. Sim, ouvi. Onde está elle, Telmo? onde está meu marido…
Manuel de Sousa?

*Manuel*, que tem estado no fundo, em quanto Magdalena, sem o ver, se adiantára para a scena, vem agora á frente. Esse homem está aqui, senhora; que lhe quereis?

*Magdalena*. Oh que ar, que tom, que modo esse com que me fallas!…

*Manoel*, internecendo-se. Magdalena… (Cahindo em si e gravemente) Senhora, como quereis que vos falle, que quereis que vos diga?—Não está tudo ditto entre nós?

*Magdalena*. Tudo! quem sabe? Eu parece-me que não. Olha: eu sei?… mas não dariamos nós, com demasiada precipitação, uma fe tam cega, uma crença tam implicita a essas mysteriosas palavras de um romeiro, um vagabundo… um homem emfim que ninguem conhece? Pois dize…

*Telmo*, áparte a Jorge. Tenho que vos dizer, ouvi. (Conversam ambos áparte.)

*Manuel*. Oh Magdalena, Magdalena! não tenho mais nada que te dizer.—Crê-me, que t'o juro na presença de Deus: a nossa união, o nosso amor é impossivel.

*Jorge*, continuando a conversação com Telmo, e levantando a voz com aspereza. É impossivel j'agora…—e sempre o devia ser.

*Magdalena*, virando-se para Jorge. Tambem tu, Jorge!