[18] Obra de tres escultores Rhodios Athenedoro, Agesandro e Polidoro.
[19] Estatua bem conhecida.
[20] Advirto, e fique advertido por todo o decurso deste ensaio, que quando digo, que este, ou aquelle quadro, ou estatua se acham em Roma, Florença, ou outra qualquer cidade: deve sempre entender-se antes das ultimas revoluções da Europa.
[21] Não confundo Avicena, e Averroes com Hippocrates: bem sei a distancia de tempos e merecimentos. Faço porém esta advertencia, porque não leia isto algum Esculapio enthusiasta, que grite: au scandale!
CAPITULO III
Da Eschola Romana
Apezar de que a eschola Florentina com razão se possa chamar a mais antiga, pois que seus alumnos se começam a contar desde Cimabúe; com tudo a Romana foi, e sempre será como a primeira olhada, não só em favor e respeito de seu illustre chefe Raphael Sanzio de Urbino; mas pela bellesa de desenho, elegancia de composição, verdade de expressão, e sobre tudo intelligencia de attitudes, que a caracterizam e sobreelevam a todas as outras.
As descobertas dos grandes monumentos de pintura e scultura, que os zelosos cuidados de alguns papas, e outras principaes pessoas de Italia desenterravam todos os dias das ruinas da antiga Roma, formaram o gôsto dos mestres desta eschola, moldando-o no antigo. E tal é a caracteristica das suas producções. Os rasgos mestres d’aquelles preciosos antigos lhes inspiraram uma magestosa solemnidade de expressão nas grandes ideias que concebiam; e esta mira, que levaram sempre os pintores Romanos, lhes fez desprezar alguma coisa o colorido: defeito, que bem se esquece por outras, e tão brilhantes qualidades.
Para tecer o elogio da eschola Romana basta nomear Raphael. Que nome nos fastos das boas-artes! Se Virgilio e Homero não são mais celebres, que Zeuxis e Apelles; a glória de Raphael quanto é superior á de Tasso e Ariosto! Não me agrada aquella sentença dos antigos:
—Ut pictura poesis— A poesia será como a pintura
(Bocage).