Francisco de Hollanda floreceu pelo meio do seculo XVI.—Pintor, architecto, poeta e philosopho.—Na Italia Paulo III, e todos os grandes e sabios; toda a Hespanha; em Portugal João III, e toda a côrte o estimaram como merecia. (Pois n’aquelle tempo tambem em Portugal se dava preço ao merecimento!) O muito que se tem escripto sobre este memoravel portuguez, me desobriga de mais extensa apologia. De sobejo lh’a fazem seus preciosos escriptos, suas pinturas, e toda a Europa.—De suas producções é sem questão a obra-prima, o baptismo de S. Agustinho (que ainda se conserva em cabeça de morgado na casa dos Castros) em que se admiram reunidos a sabia composição de Raphael, o desenho nobre e altivo de Mig. Angel., e o bello colorido de Ticiano.—Julga-se que morreu em 1574.

PINTORES PORTUGUEZES DA III EPOCHA
(Seculo XVII)

Diogo Pereira n. 1570, m. 1640. Trabalhou muito; e o desvalimento, em que sempre viveu, não lhe affrouxou as graças naturaes e puras, que fazem a belleza de suas composições. Mas sobre tudo as scenas de horror foram o mimo do seu pincel. Tive o prazer de admira-lo muitas vezes em suas obras, que por decisiva prova de merecimento, são procuradas por altissimos preços para Italia, França e Inglaterra.

Estevão Gonsalves Neto n..., m. 1627. É delle o missal do convento de Jesus tam gabado pelas excellentes miniaturas que o ornam. Soube bem o ornato e perspectiva.

Amaro do Valle n..., m. em 1619. Seu gosto é delicado; seu stylo grande e expressivo; o desenho correcto, e assizada a perspectiva. Foi pintor de Philippe II.

José de Avelar Rebello viveu no tempo de D. João IV, que o condecorou com o habito de Aviz. Caracterizam suas obras (das quaes a melhor é o S. Jeronymo da livraria de Belem) um stylo da grandeza de Mig. Ang., e um colorido de summa verdade.

D. Josepha de Ayala n..., m. 1684. Um ingenho fertil, muita verdade, expressão vivissima são a caracteristica de seus quadros, pela maior parte, de flores e fructos; mas o seu grande genero foi o retrato.

Claudio Coelho n..., m. 1693. Este homem tam grande e tam conhecido tem sido abocanhado por muitos, e exagerado por alguns; mas a opinião geral o constitue n’um dos mais superiores graus entre os mais illustres pintores. Desenhou correctamente; coloriu como Ticiano; e conheceu, como poucos, o effeito da perspectiva. Tudo isto se observa principalmente no seu primoroso quadro da sacristia do Escurial bem divulgado pela moderna estampa de Bartholozzi. (Vid. Palomin. Mus. Hist. pag. 440 até 444; o abbade Ponzz. Viag. d’Esp. Tom. V. pag. 65 até 126; Bermudez Diccion. histor. Tom. I. pag. 337 até 347; Bourgeoin Tableau de l’Espagne moderne Tom. I. pag. 227).

Bento Coelho viveu no XVII sec. Grande facilidade, bom colorido, como o de Rubens, que imitou; pouca correcção no desenho. Conservam-se ainda muitas de suas obras.

PINTORES PORTUGUEZES DA IV EPOCHA
(Seculo XVIII)