Cita-se com elogio o nome do snr. J. F. de Castilho, joven poeta que se despica da injuria da sorte que o privou da vista, com muita luz de ingenho poetico.

Os dythirambos do snr. Curvo Semedo, as odes do snr. J. Evangelista de Moraes merecem grande favor do publico: os apologos do snr. J. V. Pimentel Maldonado são por certo dignos da maior estimação.

As Georgicas do snr. Mozinho d’Albuquerque fizeram a reputação poetica de seu benemerito auctor. Alguns lhe acharam demaziada erudição, e queriam mais poesia e menos sciencia. Eu por mim tomarei a confiança de pedir ao illustre poeta, em nome da litteratura portugueza, que na segunda edição de sua tam util obra não desdenhe de aproveitar os muitos e riquissimos ornatos que habilmente póde tirar de nossas festas ruraes, de nossas usanças (como feiras, serões, desfolhas, etc.), das descripções de nosso formoso paiz; com que decerto fará mais nacional e interessante seu estimavel poema. Não sei tambem se alguma incorrecção typographica ou de cópia, seria origem de varias imperfeições e impurezas de linguagem, que os escrupulosos (e em tal materia é forçoso sê-lo) lhe notam.

Tudo isso esperamos os portuguezes que nos vangloriamos de sua excellente obra, vê-lo melhorado na proxima edição que já reclama o publico impaciente.

A litteratura portugueza não mostra presentemente grandes symptomas de vigor: mas ha muita força latente sob essa apparencia; o menor sôpro animador que da administração lhe venha, ateará muitos luzeiros com que de novo brilhe e se engrandeça.

FIM

NOTAS DE RODAPÉ:

[40] Assim lhe succedeu, principalmente em muitos dos, por natureza e essencia, hyperbolicos elogios dramaticos; genero de composição extravagante e quasi sempre ridiculo.

INDICE
DAS
OBRAS CONTIDAS N’ESTE VOLUME

Pag.
[Retrato de Venus][5]
[Notas][57]
[Ensaio sobre a historia da pintura][89]
[Bosquejo da historia da poesia e lingua portugueza][163]