VII
MIRAGAIA

É a terceira vez que se imprime o romance MIRAGAIA; só agora porêm vai restituido ao seu devido logar n’este primeiro livro do ROMANCEIRO. Publicou-se primeiramente no ‘Jornal das Bellas-artes[29],’ foi logo vertido em Inglez não sei por quem, e não me lembra em que publicação appareceu, nem o acho.

Traduziu-o em Francez um curioso[30]; e não me metto a appreciar a que elle modestamente chama ‘imitação’ do meu romance; dou-a em appendice.

Tambem sei que existe uma versão castelhana pelo Sr. Isidoro Gil, o mesmo que n’esse idioma traduzira o BERNAL-FRANCEZ. Creio que se publicou em um jornal de Madrid, mas não a vi nunca.

Eu, quando dei esta bagatella aos Srs. editores do ‘Jornal das Bellas-artes’ para encherem algum vão que lhes sobrasse n’aquella sua linda e elegante publicação, escrevi, a um canto do proprio rascunho original que não tive paciencia de copiar, as seguintes palavras:

‘Este romance é a verdadeira reconstrucção de um monumento antigo. Algumas coplas são textualmente conservadas da tradição popular, e se cantam no meio da historia ‘rezada’ ainda hoje repettida por velhas e barbeiros do logar. O conde D. Pedro e os chronistas velhos tambem fabulam cada um a seu modo sôbre a legenda. O auctor, ou, mais exactamente, o recopilador, seguiu muito pontualmente a narrativa oral do povo, e sôbre tudo quiz ser fiel ao stylo, modos e tom de contar e cantar d’elle; sem o quê, é sua íntima persuasão que se não póde restituir a perdida nacionalidade á nossa litteratura.’