—'Como d'antes?'
—'Mais.'
—'Pois olha, Carlos: eu nunca amei, nunca heide amar a nenhum homem senão a ti.'
—'Joanna!'
—'Carlos!'
Iam a cahir nos braços um do outro… A singela confissão da innocencia ia ser acceita por quem e como, sancto Deus! Aquella palavra de oiro, aquella doce palavra que tanto custa a pronunciar á mulher menos arteira; que adivinhada, sabida, ouvida ha muito pelo coração, ditta mil vezes com os olhos, nenhum homem descança nem se tem por feliz, por certo de sua felicidade, em quanto a não ouve proferir pelos labios—essa palavra celeste que explica o passado, que responde do futuro, que é a última e irrevocavel sentença de um longo pleito de anciedades, de incertezas e de sustos—essa final e fatal palavra amo-te, Joanninha a pronunciára tam naturalmente, tam sincera, tam sem difficuldades nem hesitações, como se aquelle fosse—e era decerto—como se aquelle tivesse sido sempre o pensamento unico, a idea constante e habitual de sua vida.
O excesso da felicidade aterra e confunde tambem. Um momento antes, Carlos dera a sua vida por ouvir aquella palavra… um momento depois—oh pasmosa contradicção de nossa dupplice natureza! um momento depois dera a vida pela não ter ouvido. No primeiro instante ia lançar-se nos braços da innocente que lh'os abria n'um sancto extasi do mais apaixonado amor; no segundo, tremeu e teve horror da sua felicidade.
—'Joanna' exclamou elle 'Joanna, querida, sabes tu se eu mereço… sabes tu se deves?..'
—'Sei. Desde que me intendo, não pensei n'outra coisa; desde que d'aqui foste, comecei a intender o que pensava… disse-o a minha avó, e ella…'
—'E ella?..'