—'Ella abençoou-me, chamou-me a sua querida filha, abraçou-me, beijou-me, e disse-me que aquella era a primeira hora de felicidade e de alegria que ha muitos annos tinha tido.'

Carlos não respondeu nada e olhou para Joanninha com uma indicivel expressão de affecto e de tristeza. Os raios de alegria que resplandeciam n'aquelle semblante—agora bello de toda a belleza com que um verdadeiro amor illumina as mais desgraciosas feições—os raios d'essa alegria começaram a amortecer, a apagar-se. A lucida transparencia d'aquelles olhos verdes turvou-se: nem a clara luz da agua-marinha, nem o brilho fundo da esmeralda resplandecia ja n'elles; tinham o lustro baço e morto, o polido mate e silicioso de uma d'essas pedras sem agua nem brilho que a arte antiga ingastava nos collares de suas estátuas.

—'Adeus Joanna!' disse Carlos perturbado e confuso.

—'Adeus, Carlos!' respondeu ella machinalmente.

—'Até depois de ámanhan, Joanna.'

—'Pois sim.'

—'Depois de ámanhan te direi…'

—'Não digas.'

—'Porquê?'

—'Porque é excusado: ja sei tudo.'