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Mas o que terá tudo isto com a jornada da Azambuja ao Cartaxo? A mais íntima e verdadeira relação que é possivel. É que a pensar ou a sonhar n'estas coisas fui eu todo o caminho, até me achar no meio do pinhal da Azambuja.
Ahi parámos, e acordei eu.
Sou sujeito a éstas distracções, a este sonhar acordado. Que lhe heide eu fazer? Andando, escrevendo, sonho e ando, sonho e fallo, sonho e escrevo. Francamente me confesso de somnambulo, de somniloquo, de… Não, fica melhor com seu ar de grego (tenho hoje a bossa hellenica n'um estado de tumescencia pasmosa!); digamos somnilogo, somnigrapho…
A minha opinião sincera e conscienciosa é que o leitor deve saltar éstas folhas, e passar ao capitulo seguinte, que é outra casta de capitulo.
CAPITULO V.
Chega o A. ao pinhal da Azambuja, e não o acha. Trabalha-se por explicar este phenomeno pasmoso. Bello rasgo de stylo romantico.—Receita para fazer litteratura original com pouco trabalho.—Transição classica: Orpheu e o bosque do Ménalo.—Desce o A. d'estas grandes e sublimes considerações para as realidades materiaes da vida: é desamparado pela hospitaleira traquitana e tem de cavalgar na triste mula de arrieiro.—Admiravel choito do animal. Memorias do marquez do F. que adorava o choito.
Este é que é o pinhal da Azambuja?
Não póde ser.
Ésta, aquella antiga selva, temida quasi religiosamente como um bosque druidico! E eu que, em pequeno, nunca ouvia contar historia de Pedro de Mallas-artes, que logo, em imaginação, lhe não pozesse a scena aqui perto!… Eu que esperava topar a cada passo com a cova do capitão Roldão e da dama Leonarda!… Oh! que ainda me faltava perder mais ésta illusão…