—'Não mintas, Carlos… E dorme.'
—'Oh meu Deus, meu Deus! Georgina aqui, eu n'este estado e… E a minha gente?'
—'A tua gente está salva.'
—'Aonde?'
—'Aqui mesmo, em Santarem.'
—'Quero… não quero… Oh sim, quero mas é morrer. Tende misericordia de mim, meu Deus!'
—'Socega, Carlos.'
Mas Carlos não socegava: immudeceu porque a torrente de seus pensamentos, o incontrado d'elles, e o inesperado d'aquella situação lhe imbargavam a voz, e o quebramento das fôrças lhe tolhia os movimentos do corpo; mas o espirito inquieto e alvoraçado revolvia-se dentro com um phrenesi louco. Era pasmar o que elle soffria.
Á fôrça de bebidas calmantes o accesso diminuiu, a noite passou mais tranquilla; e pela manhan o doente não dava cuidado ao facultativo que o veio ver.
Prohibiram-lhe fallar; e Georgina tinha a coragem de lhe resistir, de lhe não responder todas as vezes que elle tentava quebrar o preceito de que dependia a sua vida… e a d'ella, porque a infeliz amava-o… oh! amava-o como se não ama senão uma vez n'este mundo.