—'Eu! Eu para quê? Eu não quero…'
—'Quero eu: hasde ve-la. Ja sabes que sei tudo.'
—'Tudo o quê, Georgina?'
—'Queres que t'o repitta? Repettirei. Que tu amas tua prima, que ella que te adora. E por Deus, Carlos eu ja lhe quero como se fôra minha irman. Intendes bem agora que te não amo? Comprehendes agora que tudo acabou entre nós, e que não vejo, não posso ver em ti ja senão o espôso, o marido da innocente criança que tomei debaixo da minha protecção, e a quem juro que hasde pertencer tu?'
—'Juras falso.'
—'Como assim! Pois queres mais victimas? Não estás satisfeito com a minha ruina? Eu aomenos não sou do teu sangue. E essa velha decrepita que é tua avó, que duas vezes foi em verdade tua mãe porque te criou,—essa innocente que te ama na singelleza do seu coração… e esse pobre frade velho…'
—'Oh! aqui anda elle, bem o vejo, aqui anda o genio mau da minha familia. Malditto sejas tu, frade!'
O desgraçado não acabára bem de pronunciar éstas palavras, quando a porta da alcova se abriu de par em par, e a rigida, ascetica figura de Fr. Diniz estava deante d'elle.
CAPITULO XXXIV.
Carlos, Georgina e Fr. Diniz.—A peripecia do drama.—