Ella continuou:
—'As tuas cartas, que não eram menos ternas nem menos apaixonadas, começaram todavia a ser menos naturaes, mais incarecidas… eram menos verdadeiras por fôrça. Senti-o, vi-o, e cuidei morrer. Uma familia da minha amizade vinha então para Portugal, accompanhei-a. Apenas cheguei, procurei e obtive os meios seguros de tranzitar pelos dous campos contendores: presagiava-me o coração que me havia de ser preciso. E foi; cheguei ao valle no dia em que tu o deixavas para aquella fatal acção que te ia custando a vida. Vim-te incontrar prisioneiro e meio morto no hospital dos feridos. Aopé de ti estava um frade…'
—'Um frade! Meu Deus, se seria elle?'
—'Era elle.'
—'Pois tu sabes?..'
—'Sei: eu disse-lhe quem era e o que tu me eras…'
—'Tu a elle… disseste?..'
—'Disse. Não sei se fiz mal ou bem, sei que me não importava o que fazia. Vi depois que me não inganára na confiança que posera n'elle. Trouxemos-te para este convento, trattámos de ti, conseguimos salvar-te a vida… E em quanto esse cuidado me livrava de outros, fui… fui feliz. A tua gente… a tua familia do valle tambem veio para Santarem… tua avó e tua prima, Carlos…'
—'Joanninha! Joanninha está aqui?'
—'Está; socega; ja t'o disse, logo a verás.'