—'Se juro!'

—'Então adeus, Joanninha! Eu estou de mais aqui. Ja tenho ouvido o que não devia ouvir. Os segredos da tua familia não me pertencem. O coração d'esse homem não é meu, nem o quero. É um nobre e grande coração, Joanninha; mas… Não te deixes dominar por elle se o queres segurar. Adeus!—Santarem está desamparada pelos realistas; eu vou para Lisboa. Consola tua boa avó, e esse pobre velho. Elle não é tam criminoso, estou certa…'

—'Oh não! Carlos cuida-o assassino de seu pae; e é falso. Minha avó ja me disse tudo.'

—'Falso!' murmurou Carlos sem abrir os olhos: 'é falso? Pois não foi elle que matou meu pae?'

—'Não, filho, clamou a velha: 'não, meu filho; teu pae é este infeliz.'

—'E minha mãe?'

—'Tua mãe… e eu somos duas desgraçadas. Que mais queres saber? Tua mãe amou esse homem…'

—'Ah!' disse Carlos: 'ah!' e abriu os olhos pasmados para a avó e para o frade que cravaram os seus no chão, e ficaram como dous réos na presença do seu inflexivel juiz.

—'Mas esse homem que é… que por fôrça querem que seja meu… meu pae… Sancto Deus! elle matou o outro.'

—'Defendi-me, foi defendendo ésta vida miseravel… Oh nunca eu o fizera! E paraquê? Paraque quiz eu viver? Para isto!'