As Claras.—Aventura nocturna.—Se as freiras mettem medo aos liberaes?—O Psalmo.—Tres frades.—Práctica do franciscano.—O corpo de San' Fr. Gil.—Que se hade fazer das freiras?—Mal do govêrno que deixar comer mais aos barões.

Èra de noite, reinava a confusão, a desordem, o susto e a anciedade nos muros de Santarem, tres homens chegavam, por horas mortas, ao antigo mosteiro das Claras, davam á portaria um signal surdo e mysterioso; respondiam-lhe de dentro com outro egual; e d'ahi a pouco, sem rumor e com as mais escrupulosas precauções se abria quietamente a porta da clausura.

Os tres homens entraram, a porta fechou-se sôbre elles do mesmo modo precatado.

Que será?

Os homens levavam uma especie de cofre que parecia conter preciosidades de grande valor: tal era o desvello com que o resguardavam.

Ha um mysterio que se figura criminoso n'esta aventura. Mas os tempos são para tudo.

Era no anno de 1834.

Entremos n'esse convento das pobres Claras, tam afflictas e desconsoladas agora que as ameaçam de dissolução como aos frades.

Não será assim: aquellas instituições não mettem medo aos verdadeiros liberaes, e os outros lá teem o espolio dos frades para devorar; estão entretidos: as freiras salvam-se porora.

Taes eram as esperanças dos tres homens que entravam a essas deshoras nos vedados precinctos do mosteiro. Sigamo-los porêm, que é tempo.