Chegavam elles a uma pequena capella do claustro das freiras, foram depor sôbre o altar o cofre que traziam, e ajoelharam devotamente deante d'elle. Logo se ouviu ao longe o psalmear baixo e sumido de vozes femininas; e d'ahi a pouco, toda a communidade das Claras, de tochas na mão, em duas alas, e a abbadessa com o seu baculo atraz, entravam processionalmente no claustro e se dirigiam á mesma capella.
O psalmo que cantavam era este:
[6] 'Meu Deus, vieram os barbaros ás tuas herdades, polluiram o teu sancto templo, pozeram Jerusalem como um grannel de fructos.
'Pozeram os cadaveres de teus filhos de cevo ás aves do ceo; as carnes dos teus sanctos ás alimarias da terra.
'O sangue d'elles derramaram-n'o como agua nos valles de Jerusalem; ja não havia quem sepultasse.
'Estamos feitos o oppróbrio dos nossos vizinhos; o escarneo e a zombaria dos que vivem por nossos arredores.
'Até aonde, ó Senhor, te hasde irar emfim; e se hade accender o teu zêlo como fogo?
'Vérte a tua íra sôbre as gentes que te não conheceram, contra os reinos que não invocaram o teu nome;
'Que devoraram a Jacob; e desolaram suas terras.
'Não te lembres de nossas iniquidades passadas, e depressa nos alcancem as tuas misericordias; ja que tam pobres de mais estamos.