Nem eu ja sei quem são os meus: confunde-se, perde-se-me ésta cabeça nos desvarios do coração. Errei com elle, perdeu-me elle… Oh! bem sei que estou perdido.
Perdido para todos, e para ti tambem. Não me digas que não; tens generosidade para o dizer, mas não o digas. Tens generosidade para o pensar, mas não pódes evitar de o sentir.
Eu estou perdido.
E sem remedio, Joanna, porque a minha natureza é incorrigivel. Tenho energia de mais, tenho podêres de mais no coração. Estes excessos d'elle me mataram… e me matam!
Tu não comprehendes isto, Joanninha, não me intendes decerto; e é difficil.
Es mulher, e as mulheres não intendem os homens. Sempre o entrevi, hoje sei-o perfeitamente. A mulher não póde nem deve comprehender o homem. Triste da que chega a sabê-lo!..
E d'ahi… quando se tem de morrer, antes saber a morte de que se morre, do que expirar na ignorancia do mal que nos matou.
Tu es joven e inexperiente, a tua alma está cheia de illusões doces; vou dissipar-t'as em quanto se não condensam, que te offusquem a razão e te deixem para sempre escrava cega do maior inimigo que temos, o coração.
Quero contar-te a minha historia: verás n'ella o que vale um homem.
Sabe que os não ha melhores que eu; e tam bons, poucos. Olha o que será o resto!