É preciso que eu te descreva a piquena Julia—Julietta como nós lhe chamavamos—nós, as duas irmans e eu que rivalizavamos a qual lhe havia de querer mais…
Oh! que saudade e que remorso para toda a minha vida n'estas recordações de fraternal intimidade!
Julia era piquena, delicadissima, propriamente infantina no rosto, na figura, na expressão e no hábito de toda a sua incantadora e diminutiva pessoa.
Nenhuma ingleza, desde o tempo da rainha Bess, teve pé e ancle mais delicado. Nenhuma, desde o rei Alfredo, se occupou tam elegantemente dos elegantes cuidados de um interior britannico—gentil quadro 'de genero' como não ha outro.
Lady Julia R. era a mais piquena e a mais bonita subdita britannica que eu creio que tenha existido.
Vista á lua, no meio do seu parque, volteiando por entre os raros exoticos que no curto verão inglez se expoem ao ar livre, facilmente se tomava pela bella soberana das fadas realizando aquella preciosa visão de Shakspeare, o 'Midsumer night's dream.'
Seus olhos de azul celeste, sempre humidos e sempre doces, os cabellos de um claro e assedado castanho todos soltos em anneis á roda da cabeça e cahindo pelos hombros, espalhando-se pelo rosto, que era uma lida contínua para os tirar dos olhos, um corpo airoso, uma bôcca de beijar, os dentes miudos, alvissimos e apertados, a mão piquena estreita, e de cera—tudo isto fazia de Julia um typo ideal de bondade, de candura, de innocencia angelica.
E era um anjo… oh se era!
Contemplei-a muito tempo em silencio: ella surria-me tristemente de vez em quando, mas não fallava. Emfim almoçámos, levaram o trem.
Ella disse á sua aia: