Quanto ha de piedade e compaixão no thesouro infinito de um coração feminino se derramava d'aquelles olhos celestes para me consolar. Lá não ficava senão uma tristeza profunda, desanimada e mortal…
Não sei que vago pensamento, que idea louca… ou antes, que presentimento indeterminado e confuso me atravessou pelo espirito—ou sería pelo coração?—n'aquelle momento…
Se Julia?..
Mas não póde ser.
—'Julia, Julia' bradei eu 'quero vê-la: heide vê-la uma vez ao menos. Não me negue este último favor. Sei que devo, que preciso, que é forçoso fugir d'ella. Mas antes heide dizer-lhe…'
—'O quê?..'
—'Que a amo como nunca amei, como nunca mais heide amar…'
—'Ai Carlos!'
—'Que para sempre, sempre…'
Julia levantou-se sem dizer palavra, e lançando sôbre mim um olhar de ineffavel compaixão, sahiu rapidamente do quarto.