D'ella, quem?

Ainda te não fallei, quasi, da última das tres bellas irmans que me incantavam, não t'a descrevi, não t'a nomeei pelo seu nome. Repugnava-me fazê-lo. Mas é preciso: custa-me, não ha remedio.

Era Georgina…

Georgina que tu conheces, Georgina que… era Georgina a que vinha a mim n'aquella—fatal ou feliz?—manhan; Georgina que de todas tres era a que menos me fallava, que eu verdadeiramente menos conhecia.

Este meu coração, á fôrça de ferido e de mal curado que tem sido, pressente e adivinha as mudanças de tempo com uma dor chronica que me dá. Pressenti não sei quê ao ver approximar-se Georgina…

—'Como foi bom em vir! Estou realmente feliz de o ver. E Julia, a pobre
Julia, que alegria que vai ter, hade curá-la de todo.'

—'Pois quê! Julia está doente?'

—'Não o sabía!… Ai! não, bem sei que não: ella não lh'o quiz dizer. Julia está doente; mas não é de cuidado. Eu sempre quiz advirti-lo antes que a visse, por isso calculei as horas do coche e vim para aqui esperá-lo.'

Éstas palavras eram simples, não tinham nada que me devesse impressionar extraordinariamente, e todavia eu sentia-me agitado como nunca me sentira. Olhava para Georgina como se a visse a primeira vez, e pasmava de a ver tam bella, tam interessante.

É uma situação d'alma ésta que não sei que a descrevessem ainda poetas nem romancistas: desprezam-n'a talvez, ou não a conhecem. Está recebido que as subitas impressões causadas por um primeiro incôntro sejam as mais interessantes, as mais poeticas.