Temos sim, eu conheço tres: Bonaparte, Silvio-Péllico e o barão de
Rotchild.

O primeiro fez a sua Iliada com a espada, o segundo com a paciencia, o último com o dinheiro.

São os tres agentes, as tres entidades, as tres divindades da epocha.

Ou cortar com Bonaparte, ou comprar com Rotchild, ou soffrer e ter paciencia com Silvio-Péllico.

Todo o que fizer d'outra poesia—e d'outra prosa tambem—é tolo…

Vieram-me éstas mui judiciosas reflexões a proposito do capitulo antecedente d'esta minha obra prima; e lancei-as aqui para instrucção e edificação do leitor benevolo.

Acabei com ellas quando chegámos á ponte da Asseca.

Esquecia-me dizer que d'aquelles tres grandes poetas so um está traduzido em portuguez—o Rotchild: não é litteral a traducção, agallegou-se e ficou muito suja de erros de imprensa mas como não ha outra…

Ora d'onde veio este nome da Asseca? Algures aqui perto deve de haver sitio, logar ou coisa que o valha, com o nome de Meca; e d'ahi talvez o admiravel rifão portuguez que ainda não foi bem examinado como devia ser, e que decerto incerra algum grande dictame de moral primitiva: 'andou por Secca (Asseca?) e Meca e olivaes de Santarem.'—Os taes olivaes ficam logo adiante. É uma ethymologia como qualquer outra.

A ponte da Asseca corta uma varzea immensa que hade ser um vasto pahul de hynverno: ainda agora está a desangrar-se em agua por toda a parte.