—'Estão, esses lá estão ainda como ha dez annos—os mesmos ou outros, mas a menina dos rouxinoes foi-se e não voltou.'

—'A menina dos rouxinoes! que historia é essa? Pois devéras tem uma historia aquella janella?'

—'É um romance todo inteiro, todo feito como dizem os francezes e conta-se em duas palavras.'

—'Vamos a elle. A menina dos rouxinoes, menina com olhos verdes! Deve ser interessantissimo. Vamos á historia ja.'

—'Pois vamos. Apeemo'-nos e descancemos um bocado.'

Ja se ve que este dialogo passava entre mim e outro dos nossos companheiros de viagem.

Apeámo'-nos comeffeito; sentamo'-nos; e eisaqui a historia da menina dos rouxinoes como ella se contou.

É o primeiro episodio da minha Odyssea: estou com medo de entrar n'elle porque dizem as damas e os elegantes da nossa terra que o portuguez não é bom para isto, que em francez que ha outro não-sei-quê…

Eu creio que as damas que estão mal informadas, e sei que os elegantes que são uns tolos; mas sempre tenho meu receio, porque emfim, enfim, d'elles me rio eu, mas poesia ou romance, musica ou drama de que as mulheres não gostem, é porque não presta.

Ainda assim, bellas e amaveis leitoras, intendamo'nos: o que eu vou contar não é um romance, não tem aventuras inredadas, peripecias, situações e incidentes raros; é uma historia simples e singella, sinceramente contada e sem pretenção.