A velha sentiu o que quer que fosse na mão, levou-a á bôcca e pareceu beija-la, depois disse:
—'Bem vi, Joanninha!'
—'O quê, minha avó? que viu?'
—'Vi, filha, vi.., sem ser com os olhos que Deus me cerrou para sempre—louvado seja Elle por tudo!—vi, sentindo, ésta lagryma tua que me cahiu na mão, e que ja ca está no peito por que a bebi, Joanna. Oh filha, ja! é muito cedo para começar, deixa isso para mim que estou costumada: mas tu, tu com deseseis annos e nenhum desgôsto!'
—'Nenhum, avó! E estamos sosinhas nós duas n'este mundo, minha avó n'esse estado, eu n'esta edade, e…'
—'E Deus no ceu para tomar conta em nós… Mas que é? olha, Joanna: eu sinto passos na estrada vê o que é.'
—'Não vejo ninguem.'
—'Mas oiço eu… Espera… é Fr. Diniz; conheço-lhe os passos.'
Mal a velha acabava de pronunciar este nome, surdiu, de traz de umas oliveiras que ficam na volta da estrada, da banda de Santarem, a figura sêcca, alta e um tanto curvada de um religioso franciscano que abordoado em seu pau tosco, arrastando as suas sandalias amarellas e tremendo-lhe na cabeça o seu chapeo alvadio, vinha em direcção para ellas.
Era Fr. Diniz comeffeito, o austero guardião de San'Francisco de
Santarem.