O barão é, em quasi todos os pontos, o Sancho-Pansa da sociedade nova.
Menos na graça…
Porque o barão é o mais desgracioso e estupido animal da creação.
Sem exceptuar a familia asinina que se illustra com individualidades tam distinctas como o Ruço do nosso amigo Sancho, o asno da Poncella de Orleans e outros.
O barão (onagros-baronius de Linn., l'ânne-baron de Buf.) é uma variedade monstruosa ingendrada na burra de Balaham, pela parte essencialmente judaica e usuraria de sua natureza, em coito damnado com o urso Martinho do Jardim das Plantas[2], pela parte franchinotica e sordidamente revolucionaria de seu character.
O barão é pois usurariamente revolucionario, e revolucionariamente usurario.
Por isso é zebrado de riscas monarchico-democraticas por todo o pêllo.
Este é o barão verdadeiro e puro-sangue: o que não tem estes characteres é especie differente, de que aqui se não tracta.
Ora, sem sahir dos barões e tornando aos frades, eu digo: que nem elles comprehenderam o nosso seculo nem nós os comprehendémos a elles..
Por isso brigámos muito tempo, a final vencêmos nós, e mandámos os barões a expulsá-los da terra. No que fizemos uma sandice como nunca se fez outra. O barão mordeu no frade, devorou-o… e escouceou-nos a nós depois.