E sei que me não inganam poesias; que eu reajo fortemente com uma logica inflexivel contra as illusões poeticas em se tractando de coisas graves.

E sei que me não namóro de paradoxos, nem sou d'estes espiritos de contradicção desinquieta que suspiram sempre pelo que foi, e nunca estão contentes com o que é.

Não, senhor: o frade, que é patriota e liberal na Irlanda, na Polonia, no Brazil, podia e devia sê-lo entre nós; e nós ficavamos muito melhor do que estamos com meia duzia de clerigos de requiem para nos dizer missa; e com duas grozas de barões, não para a tal opposição salutar, mas para exercer toda a influencia moral e intellectual da sociedade—porque não ha de outra ca.

E se não digam-me: onde estão as universidades, e o que faz essa que ha senão dar o seu grausito de bacharel em leis e em medicina? O que escreve ella, o que discute, que príncipios tem, que doutrinas professa, quem sabe ou ouve d'ella senão algum echo timido e acanhado do que n'outra parte se faz ou diz?

Onde estão as academias?

Que palavra poderosa retine nos pulpitos?

Onde está a fôrça da tribuna?

Que poeta canta tam alto que o oiçam as pedras brutas e os robres duros d'esta selva materialista a que os utilitarios nos reduziram?

Se exceptuarmos o debil clamor da imprensa liberal ja meio-esganada da policia, não se ouve no vasto silencio d'este ermo senão a voz dos barões gritando contos de réis.

Dez contos de réis por um eleitor!