—'Pois aos fracos não é que Elle disse: Toma a tua cruz e segue-me.
Quem a obrigou a fazer os votos que fez?'

—'É verdade, padre, é verdade: bem sei o que prometti, que me votei a Deus d'alma e corpo, que me não pertenço, que nem das minhas affeições posso dispor, mas…'

—'Mas o quê? Irman Francisca, a Deus não se ingana. Os seus votos não foram feitos n'um mosteiro, nem proferidos n'um altar no meio das solemnidades da egreja. Mas ja lh'o tenho ditto, no fôro da consciencia, na presença de Deus, ligam-n'a tanto ou mais do que se o fossem. Abjure-os se quizer; nenhuma lei, nenhuma fôrça humana a constrange. Diga-m'o por uma vez, desingane-me, e eu não torno aqui.'

—'Oh, por compaixão, padre! pelas chagas de Christo! Mas uma pergunta so, uma so, e eu prometto não pensar, não fallar mais em… Onde está elle?'

—'Joanna, retire-se.'

Joanninha appertou a avó com ambos os braços; e sem dizer uma palavra, sem fazer um so gesto, lentamente e silenciosamente se retirou para dentro de casa.

—'E ésta, padre?' disse a velha sem esperar a resposta á primeira pergunta que com tanta ancia fizera—'e ésta, tambem d'ella me heide separar, tambem heide renunciar a ella?'

—'Esta é uma innocente, e emquanto o for'…

—'Em quanto o for! A minha Joanna é um anjo.'

—'Blasphemia, blasphemia! E o Senhor a não castigue por ella. Joanna é boa e temente a Deus: esperemos que Elle a conserve da sua mão. O outro…'