—'Que estou resolvido a emigrar.'

—'A emigrar, tu!… Porquê, paraquê? Que loucura é essa?'

—'Nunca estive tanto em meu juizo.'

—'Carlos, Carlos! nem mais uma palavra a similhante respeito. Em que más companhias andaste tu, que maus livros lêste, tu que eras um rapaz?.. Carlos, prohibo-te de pensar n'esses desvarios.'

—'Prohibe-me… a mim… de pensar!… Ora, senhor…'

—'Prohibo de pensar, sim. Le no teu Horacio se estás cançado das pandectas. Vai para a eira com o teu Virgilio… ou passeia, caça, monta a cavallo, faze o que quizeres, mas não penses. Ca estou eu para pensar por ti.'

—'Porquê? eu heide ser sempre criança? a minha vida hade ser ésta? Horacio! tenho bom ânimo para ler Horacio agora… e a bella occupação para um homem de vinteeum annos, scandar jambos e trocheus.'

—'Pois le na tua biblia, que é poesia medida n'alma e que repasce o espirito e o coração.'

—'Eu não quero ser frade: sabe?'

—'Nem te eu quero para frade.'