Eu creio firmemente que não.
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Cansada e exhausta ja de tam porfiada lucta, a velha perdeu de todo a razão com as derradeiras palavras do frade, e n'um paroxismo de chôro exclamou:
—'Diniz!.. Fr. Diniz, por aquelle pinhor sagrado que eu tenho em meu podêr, por aquella preciosa cruz sôbre a qual se derramaram as últimas lagrymas da minha desgraçada filha, Diniz!…'
—'Silencio!' bradou o frade, arrancando um brado de dentro do peito que fez gemer os echos todos do valle: 'Silencio, mulher! não conjure o demonio que eu trago incarcerado n'este seio, que á fôrça de penitencias mal pude domar ainda… que so a morte poderá talvez expellir. Mulher, mulher! este cadaver que ja morreu que ja apodreceu em tudo o mais, que ja o comem, sem o elle sentir, os bichos todos da destruição… este cadaver tem um unico ponto vivo no coração… e o dedo do teu egoismo ahi foi tocar, oh mulher!.. Peccado que estás sempre contra mim! Justiça eterna de Deus quando serás satisfeita?'
Rompêra na maior violencia a voz do frade, mas descahiu n'um tom baixo e medonho ao fazer ésta última imprecação mysteriosa. As derradeiras syllabas quasi que lhe morreram nos beiços convulsos, e ao balbuciá-las deixou-se cahir, exhausto e como quem mais não podia, na cadeira que Joanninha lhe chegára.
A velha aterrada e confusa tremia do que fizera, como deante do espirito immundo que seus maleficios evocaram, treme a maga assustada de seu proprio podêr.
Passaram alguns segundos que nenhumas palavras podem descrever.
O frade levantou o rosto, olhou para ella, olhou para Joanninha… e, como quem emerge, por grande esfôrço, de um pêso enorme d'aguas que o submergiam, sacudiu a cabeça, sorveu um longo trago de ar, e disse na sua voz ordinario, so mais debil:
—'Carlos, senhora… minha irman, Carlos está vivo; e exaqui, vinda pelo consul de França, uma carta d'elle.'