Fr. Diniz não respondeu, mas ficou sentado: descahiu-lhe a cabeça sôbre o peito, e abraçando-se com o bordão, não deu mais signal de si.
A velha escutou em silencio alguns segundos, e com aquelle ouvido agudissimo—penetrante vista dos cegos—percebeu sem dúvida o que se passava, e com mais confôrto e serenidade na voz disse:
—'Abre, Joanna, lê, minha filha.'
Joanninha abriu a carta, e percorreu com avidez as poucas linhas que ella incerrava.
—'Não les?' acudiu a avó com impaciencia: 'Lê, lê alto, Joanna.'
—'É para mim so a carta' disse ella friamente.
—'Para ti so, como?' tornou a outra.
—'É para mim so ésta carta… não diz nada que…'
—'Não diz nada!' replicou a avó 'Pois!… Lê, lê alto; seja como for, lê, e oiçamos.'
Joanninha parecia hesitar ainda; lançou os olhos ao frade, achou-o na mesma attitude impassivel; voltou-se para a avó, viu-a anciada e anxiosa… leu.