Vai, em breve expiarás as palavras que proferiste. Oh! que audacia! Quando não me cercão os meus guardas, sou eu por ventura o mais fraco dos homens? E por toda a parte me prendem motivos varios! Vejo-me forçado a matar uns após outros, aquelles que quizera ver mortos, ao mesmo tempo, no mesmo instante!...

POPPÉA.

Ah! quantos golpes me ferem o coração! Quanto me indigno contra mim propria! Eu, só, sou a causa criminosa de todos os teus tormentos.

NÉRO.

Tanto mais cara ficas sendo para mim, quanto mais difficil se torna a tua posse.

POPPÉA.

Chegou emfim o momento; é tempo, Néro, que eu lance mão de um meio violento, e que só de mim depende. Não esperes que este povo audacioso se tranquillise emquanto eu estiver junto de ti. Sim, Roma desprésa a prole illustre que breve darei a Néro. Mais vale para ella que o poder imperial pertença um dia á descendencia infame de um vil escravo. Posto que eu não seja se não o pretexto de uma revolta popular, a que outra causa deu nascimento, estou resolvida... Sim, devo, quero...

NÉRO.

Ah! Cala-te! Posso ainda ganhar tempo, como já o fiz. Que receias? Havemos de triumphar, espera...

POPPÉA.