Ainda quando por algum tempo fiques vencedor de Octavia e do povo romano, crescerá o odio que inspiras e então, quem sabe se tu proprio não accusarás a desgraçada Poppéa? Quem sabe se, levado pelo arrependimento não trocarás por odio a afeição que hoje me consagras? Oh céo! Só este pensamento gela-me o sangue. Ah! deixa que eu morra longe de li; ao menos baixarei ao tumulo possuindo todo o teu amor...

NÉRO.

Basta!... Basta!... Já a minha raiva transborda; não penses mais em deixar-me... Roma, o mundo inteiro, o proprio céo debalde se opporão a que sejas minha. Néro o jura.

SCENA IV.
TIGELLINO, NÉRO E POPPEA.

TIGELLINO.

Viva Néro!

NÉRO.

Dispersaste o povo? Esmagaste-o? Sou senhor em Roma? Pois que! voltas sem que venha tinta de sangue a tua espada?

TIGELLINO.

Ainda não chegou a hora em que convem derramar sangue, mas está proxima. Entretanto cumpre usar de astucia; mandei espalhar por entre o povo falsos boatos; ora dizia-se que estavas disposto a chamar para junto de ti Octavia, se ella pudesse justificar-se dos crimes de que é accusada; ora que as affrontas insensatas de que tem sido victima Poppéa, indignárão o nobre coração da propria Octavia, que volta a Roma para restabelecer a ordem e a tranquilidade, e não para dar causa a tumultos populares.