Vamos, dize-me, que tencionas tu fazer? Prantear, combater, jejuar, rasgar tuas proprias carnes, beber o Issel todo, devorar um crocodilo? Tudo farei. Vieste aqui para te lamentar, para me desafiar, precipitando-te dentro da sua cova; enterra-te vivo com ella, outro tanto farei; e já que fallaste em montanhas, accumulem ellas sobre nós tanta terra, que o cume da nossa pyramide tumular toque a zona ardente, e ao pé d'ella o monte Ossa não pareça mais que uma verruga. Pódes encolerisar-te, que não me assustam os teus furores.
A RAINHA
É um accesso de loucura que durará algum tempo; depois, similhante á meiga pomba acalentando os filhinhos, ficará silencioso e immovel.
HAMLET (a Laerte)
Dize-me, porque me tratas assim? Sempre fui teu amigo. Mas não importa. Aindaque Hercules se oppozesse, se o gato miasse, o cão havia de ladrar (afasta-se).
O REI
Siga-o, peço-lhe, meu caro Horacio. (Horacio segue Hamlet) (a Laerte) Tem paciencia, lembra-te da nossa conversação de hontem, (Á rainha) Querida Gertrudes, faça com que velem sobre Hamlet; (á parte) é preciso dar como monumento a este tumulo uma victima humana. Cedo estarei descansado; até então, paciencia! (Sáem todos.)
SCENA II
Uma sala no castello
Entram HAMLET e HORACIO