APOTHEOSE CAMONEANA
RENASCENÇA
(a Ramalho Ortigão)
A Renascença que foi obra toda humana,
Chamando á vida nova a forte raça aryana,
Co'a polvora, a imprensa, a bussola e a alchimia,
A Arte a renascer na lyra dos poetas,
Copernico que traça a orbita aos planetas
E Martinho Luthero affirmando a herezia;
Dante que tudo vê com seu olhar de lynce,
A Ceia do Senhor de Leonardo Vinci
E Masaccio que tem madonas ideaes,
Colombo e Guttemberg e Magalhães e Gama,
Bacon que ensina a vida e Erasmo que proclama
O rubro alvorecer das sciencias naturaes;
Gallileu que nos prova a rotação da terra
E contra quem a egreja ergueu terrivel guerra,
Aristoteles que, intransigente e altivo
Foi quem traçou as leis novas da evolução,
Cravou golpe profundo, em cheio, á religião
E em bases affirmou o Credo Positivo;
Magalhães que demonstra a terra como esphera,
Giotto que nos pinta a tela mais sincera,
O feudalismo á morte, as communas em lucta,
A alma das nações erguendo-se fremente
E pouco a pouco, a claro, as lendas do Oriente,
Emquanto o santo officio as consciencias enluta;
Bruno que a egreja queima, affirmando a Verdade,
Miguel Angelo que achou os tons da realidade
No Juizo Final a luz das gerações:
Todo esse renascer das Artes e Sciencias
E o rebate febril de todas as consciencias,
Resume-se afinal no livro de Camões.
NOS PAÇOS DA RIBEIRA
(a Manoel Duarte de Almeida)