Elle, o immortal poeta, e velho combatente,
Sonoro coração cheio de amor e gloria,
Alma toda febril, vastissima, marmorea;
O guerreiro fatal que, erguendo um bravo ardente,
Escreveu co'a espada o livro auri-fulgente
Onde em lettras de luz fulgura a nossa historia:
Nesse instante talvez, espectro desolado!
Chorando amargamente o seu velho paiz,
E não vendo da gloria o fulgido matiz
Engrinaldar emfim o nosso lar sagrado,
Deixava-se outra vez morrer abandonado
Batido de vergonha, extatico, infeliz!
Mas contra toda essa atroz miseria hodierna,
Vibrae sonoramente! ó almas de leões,
E ergamos todos nós, em nossos corações,
Ao clarão triumphal da religião moderna,
Um sacrario febril de immensa luz eterna,
Em que o Futuro adore o vulto de Camões.