Não nos é dado realizar o impossivel!
O tempo de lagrimas, de solidão, de aborrecimento, que de vós me sepára, acabará, para nos unirmos e gosarmos juntos da bemaventurança eterna!...
Adeus.
Pero da Covilhan.
Quando Maria Thereza terminou a leitura d'esta carta, estava como «a candida cecem das matutinas[{236}] lagrimas rociada»; mas tinha ao pé de si quem lh'as enxugasse, quem lhe respirasse os suspiros, que as entrecortavam.
Conservando a carta apertada n'uma das mãos, voltou-se para a rainha e exclamou:
—Assim o quiz Deus!... Faça-se a sua vontade!... Que duvidosas são as coisas d'esta vida!...
—Tambem as ha certas—interrompeu D. Leonor com muito carinho—e uma d'ellas será a tua resignação, que não pósso pôr em duvida...
—Sim, minha Senhora; nas mãos de Deus me resigno... E, se voss'alteza me permitte, cumprirei tambem as ultimas palavras, que disse a Pero da Covilhan: «de outro jámais serei!»
—Não admiro a tua fidelidade ás promessas, que fazes—tornou a rainha—; mas ás vezes... em momentos irreflectidos... e ha tantos em galanteios!... Emfim é necessario, que penses no teu futuro...