[G]
[PAG. 100.]—«...cortezãos dotados de bôas prendas». Talvez o leitor compulsasse já um livro intitulado Viagem por Hespanha e Portugal no seculo XV, de Nicolaus von Popplau, cavalleiro da casa de Frederico III, imperador da Allemanha.
Nas poucas paginas consagradas ao nosso paiz, o auctor, que por cá andou nos ultimos mezes de 1484, capitula de incivis, de ignorantes e de insensatos tanto nobres, como plebeus. Considera os portuguezes, em geral, incapazes de bons costumes e sem bondade. Ás mulheres, dá-lhes os olhos negros e furiosos.
Nas taes paginas, porém, encontra-se a explicação do máu humor, com que foram escriptas. Relaxo, pois, ao meu despreso a estolida aldravice.
[H]
[PAG. 154.]—«...depois de ter descoberto a costa do Labrador». Quem primeiro tornou publico este facto, foi o illustrado e benemerito michaelense, sr. Ernesto do Canto, no Archivo dos Açores,[{246}] vol. XII, pag. 529; e confirmou-o, exhibindo um documento no seu opusculo Quem deu o nome á Terra do Labrador.
Mais tarde o mesmo academico publicou outro documento comprovativo, que foi extrahido da Chancellaria de el-rei D. Manoel, e fornecido pelo indefesso investigador, o erudito general sr. Jacintho Ignacio de Brito Rebello.
[I]
[PAG. 155.]—«... a quem a patria não fez ainda a devida justiça». Em a Noticia Preliminar, que precede o Esmeraldo de situ Orbis, publicação dirigida pelo douto academico sr. Raphael Basto, para a commemoração do quarto centenario do descobrimento da America, mostra o sr. Basto, com trechos de uma carta de Pero Vaz de Caminha e do Roteiro de Duarte Pacheco, ser acertado, não attribuir a mero acaso o descobrimento da terra de Vera Cruz. Como temos, ha muito, esta opinião, folgámos de vêr, que para ella pende o sr. Raphael Basto, a cujas investigações persistentes e conscienciosas muito deve já a historia portugueza.