—O que fizestes d'el-rei, vosso Senhor e páe?

Proferidas estas palavras, que nunca mais esqueceram a D. João, appareceu Pero da Covilhan, e disse ao principe:[{74}]

—El-rei, vosso Páe, e meu Senhor, manda-vos participar, que vivo e são está, por isso sejais tranquillo.

—E onde está el-rei, nosso senhor?!...—perguntou com alvoroço o principe real.

—Em Castro Nunho.

—Quem nos trouxe tão bom recado?

—El-rei, meu Senhor, a mim proprio o deu.

A nova espalhou-se logo por toda a cidade. Foi celebrada com toques de trombetas e atabales, repiques de sinos, e outras demonstrações de alegria, feitas pela classe popular. E sem demóra igualmente mandou o principe sair para Castro Nunho uma guarda de honra composta de numerosos cavalleiros, a fim de acompanharem D. Affonso V a Toro.

Entretanto carecia Pero da Covilhan de explicar a sua presença junto do rei, pois, desde o cêrco da ponte de Zamora, militava na hoste do principe, havendo-se distinguido pela sua destreza e bravura na gloriosa refrega, em que conquistou novo brilho a intrepida cavallaria portugueza.

Preveniu o principe a explicação, perguntando ao moço escudeiro: