—Da de voss'alteza: quereis dizer...—ponderou Contreiras.

—Pois seja de ambos nós—tornou D. Leonor,—ou melhor: de Deus será esse arbusto, que vamos plantar, e que se fará—assim o espero da protecção divina—arvore frondosa, cuja sombra abrigará muitas miserias...

—Tenho fé, em que succederá, como voss'alteza espera... O terreno, em que váe fazer-se o plantio, é feracissimo, e a cultura não podia o Senhor confia-la de melhores mãos...

—Mãos de peccadora...

—Purificadas nas boas obras...—atalhou Contreiras.

—Se o Redemptor nos ensinou a enchugar as lagrimas, a dar allivio ás miserias, remedio ás necessidades, amparo e consôlo ás fraquezas, porque não hade aproveitar-nos essa lição?... Porque não seguir o exemplo do Divino Mestre?...

—Até, porque Elle nos promette a recompensa, permittindo-nos um santo interesse nas acções[{164}] boas que praticamos. «Bemaventurados os misericordiosos, porque elles alcançarão misericordia».

—Antes de vós chegardes, estava eu meditando essas e outras palavras do Evangelho de S. Matheus, cuja leitura me aconselhastes...

—E viu decerto voss'alteza, em todo esse quadro tão singelamente traçado pelo apostolo, quanto Jesus Christo aprecia e recommenda a misericordia...

—Vi. Nem careço de outro estimulo, para prestar todo o meu auxilio á santa instituição, que projectamos...