A rainha ficou surprehendida. Fitou Maria Thereza um momento, e disse-lhe para lhe fazer gosto, e vêr o fructo de tão singular lembrança:

—Tens a minha approvação. Eu mesma te levarei a Lisboa, depois das festas do casamento.

Maria Thereza beijou com o mais vivo reconhecimento as mãos da rainha; mas, não a satisfazendo inteiramente a resposta, insistiu:

—E se eu fosse já?...

—Que trigança é essa?...

—Perdôe-me voss'alteza!... Preferia não assistir ás festas...

—Creança!... Como alcançaste a minha licença, já está a pular-te o pé!... Olha, que não é bom, ser-se impaciente...

—Se eu não agastasse a vossa'alteza!...[{166}]

—O que me dirás tu, que possa enfadar-me?!...

—Não sei, como confessar a voss'alteza... tudo quanto penso e sinto... e, todavia, não devo occultar, a quem para mim é mais do que mãe, qualquer segredo da minha alma... Eu, minha Senhora...