Maria Thereza não poude concluir. Tapou com as mãos os olhos, e ainda mais os escondeu, inclinando a cabeça no regaço da rainha.
D. Leonor afagou-a, e, tomando logo um fingido ar de soberana, exclamou:
—Eya sus!... Quero saber todos esses segredos!...
Maria Thereza ergueu a cabeça, retirou as mãos dos olhos, e baixando-os, respondeu:
—Amo Pero da Covilhan, minha Senhora!...
—Acceitaste por tanto os galanteios d'esse homem?!...—perguntou a rainha, accentuando com grande admiração as suas palavras.
—Sim, minha Senhora—replicou Maria Thereza um pouco tranquillizada e parecendo-lhe, que tinha tirado de cima do coração um enorme pêso.
—Antes, porém, de o admittires... como teu servidor... não reparáste na differença de nascimentos, nem te occorreu, que nunca permittirei o teu casamento, com quem não possa fazer a tua felicidade?...
—O que trago sempre em lembrança, minha Senhora, é o dever, de não dar um passo, que não[{167}] seja do real agrado de voss'alteza. O amor, que Pero da Covilhan me inspirou, não apaga do meu coração o que consagro a voss'alteza, como do coração da esposa nunca se apaga—creio—o amor da filha. Até este mais santifica e robustece o outro...
—Assim é; e muito me alegra, que d'esse modo penses. Mas em que fundas tu as tuas esperanças, de Pero da Covilhan se tornar digno do meu prásme?...