SCENA XII
O REI, só, ao fogão, olhando o pergaminho:
Belo! toca a assinar o papelucho e cama.
Vão-se os pretos! Adeus, pretangada e moirama!
Inda bem! Já ninguêm desde hoje me seringa,
Levantando questões dum cafre ou duma aringa.
Durmo esta noite como um odre. Para insónias
O remédio é mandar à tubúa as colónias.
Que se governem! tudo ós quintos! tudo à fava!
Olhando os retratos da dinastia:
O que diriam disto os maganões?… Gostava
Duma palestra com vocês… Vinha n'altura…
Trovão retumbante. Os cães ululam. Diante do rei, varado de assombro, ergue-se de improviso o fantasma de D. João IV. O rei quer falar, quer fugir, mas paralítico de mêdo, olhar atónito, nem um gesto, nem um ai, nem um grito. Desfalece, caíndo imóvel.