b) O SEU NEGATIVISMO SISTEMÁTICO

O regímen republicano é essencialmente negativo. Para ele, só há um facto permanente: o perigo monárquico. Os republicanos dizem, repetem e decretam que a{23} Monarquia jamais volta a Portugal; mas desde manhã até à noite e de noite até pela manhã, não pensam noutra coisa senão na volta da Monarquia a Portugal. Se ela nunca mais volta, se a República é amada por toda a Nação, se a Nação quer a República, se a Nação é republicana, onde está o perigo monárquico? Eles bem sentem que tudo lhes é provisório, a começar pelo chefe do Estado cujas funções são constitucionalmente provisórias...

Se um pobre campónio, um dia, no meio das suas terras, ignorando ainda que já está a República, solta um viva à Monarquia, logo no dia seguinte os jornais republicanos publicam telegramas em normando, afirmando desconsoladamente que a Monarquia foi proclamada na aldeia de tal, e que a República está em perigo... Se os partidos republicanos tivessem a consciência tranquila e a certeza de que a Nação estava contente com a República, não andavam tão preocupados e aterrados com o fantasma da Monarquia! De resto, todos eles sabem que ela voltará.

Um dos chefes republicanos mais célebres{24} e que tem a vantagem de ser um veemente homem de bem, disse-me por mais de uma vez, que a República era inadaptável a Portugal. Mas disse-mo a mim, e não o diz em público, por falta de coragem e honradez cívica.

A falta de sinceridade e a negação sistemática da evidente verdade afastam o regímen republicano da Nação, e fazem com que esse regímen, ainda mesmo sob a modalidade especial e simpática que lhe dá o Sr. Sidónio Pais não possa encontrar já, hoje, outro apoio que não seja o apoio meramente teórico que está tendo.