c) A FALÊNCIA DA SUA MENTALIDADE

E a que é devida toda esta situação que se criou o regímen republicano? É devida aos maus instintos ingénitos dos homens que a servem? Não, porque a maior parte deles apesar da aguarrás e das forcas que prometem são incapazes de matar uma mosca. O motivo é outro: é a falência da mentalidade dos seus dirigentes. Ao olharmos os seus espíritos, o que sentimos é a{25} impressão de que são espíritos fechados, curtos, sem horizontes e janelas. Sentimos que há uma urgente e absoluta necessidade de os naftalinizarmos, de abrirmos as suas janelas e deixarmos entrar neles o sol, a luz e o ar...

Leram um dia Rousseau, Lamartine, Louis Blanc, Guizot, e ficaram por aí. E no entretanto, quanto se tem andado já!

Entre a mentalidade deles e a da Europa há um abismo!

O estrangeiro, estudando e analisando o nosso país, no momento actual, fica espantado de ver estes pequeninos, estes microscópicos indivíduos manejando cinco milhões de homens, e não compreende que possa ser assim.

E chamam-nos reaccionários, atrasados. Mas nós, os monárquicos, andamos a par das modernas doutrinas sociais, não desconhecemos os modernos processos científicos, e não ignoramos as sucessivas transformações doutrinárias e práticas da Política; conhecemos a lição dos factos dos últimos tempos; e aproveitamos com a lição da guerra; enquanto que eles, os{26} espíritos republicanos, paralíticos, fechados em 89, nada mais sabem, nada mais vêm, nada mais aprendem.

Até já houve um chefe de partido que chegou a dizer que ele, paisano, com um exército disciplinado, venceria os alemães! São espíritos arriérés, incultos, primitivos, inadaptáveis à vida moderna.

Não há maneira de os fazermos compreender que os povos têm que se adaptar a necessidades superiores às suas teorias fantasistas; não há maneira de convencer esses espíritos, imbecilizados alguns, de que devem parar na sua experiência nefasta, de que devem parar na sua teimosia criminosa, de que devem parar na sua birra indigna, e de que não devem cavar mais fundo a sepultura da Nação!

Nós tivemos uma serie de reis que, quaisquer que fossem os seus defeitos e os seus erros, fizeram a Nação, engrandeceram a Nação, alargaram os seus domínios, acrescentaram à glória do passado nova glória. Não há maneira de convencer os espíritos republicanos de que essa serie de reis nos merece respeito e amor, e que a Nação inteira{27} aspira e quer voltar às suas instituições tradicionais.

Quando Portugal, pequeno como é, sem exército e sem marinha, vivia no regímen monárquico, tinha uma situação internacional invejável demonstrada pelas atenções que nos dispensavam, com a sua presença, os soberanos das mais fortes nações estrangeiras; e hoje, se queremos vencer a antipatia europeia, temos que praticar actos que não nos dignificam nem impõem.

A República... a República... Temos agora um governo digno de nós todos, porque digno de todos nós se apresenta o Sr. Sidónio Pais. Mas esta situação não é eterna. Quando cair, será a ocasião de se restaurar a Monarquia, para não termos de voltar ao demagogismo...{28}