II
É que o poeta recebeu de Deus o condão mago de ler na noite de arredado futuro; de vêr luz e muita luz aonde outros só vêem trevas; flores de amor e de vida, aonde para muitos só brotam os goivos do sepulchro.
Esse lê bem, que assim lê em lettras{42} de ouro paginas de esperança e felicidade no grande livro dos destinos da humanidade.
Crê e espera—mas não lhe vem só do coração—de seu condão de poeta—essa crença e essa esperança.—Estudou, pensou, viu muito pelos olhos de sua intelligencia, e n'este estudo firmou elle em grande parte essa crença, que lhe dá a força de prometter ainda felicidade e muita felicidade para os campos, para os habitadores dos campos e para todos por via d'elles.
«Aconselhar a agricultura ao povo, diz o auctor, é aconselhar-lhe a propria felicidade».
Veremos se o alvitre é tão bom como se apregoa, se não cegou o poeta a propria inspiração.{43}