IV

E nós tambem, tambem commungaremos
Na grande communhão das novas gentes:
Tambem os nossos braços ergueremos
—Braços livres de jovens impacientes—
E o cinto d'este Velho quebraremos,
De aonde a espada e o sceptro estão pendentes,
(Já tão gastos!) lançando-os á ribeira…
Para o coroar de palmas e oliveira!

Hespanha—irmã! que boda alegre a nossa!
Como hãode então teus seios palpitar!
Que ribeira de lagrimas tão grossa
Teu branco véo de noiva hade estancar!
Como hade parecer pequena poça
Para os banhos, então, o grande mar!
E entornar-nos volupia nos desejos
O mixto de odio antigo e novos beijos!

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Mas tu 'stás presa!… e nós… 'stamos dementes!
Separa-nos o abysmo! os teus algozes…
A cruz de Ignacio… e as garras inclementes
Dos leões orgulhosos e ferozes…
E a estupidez do povo dos valentes,
D'estes pardaes de atroadoras vozes…
Entre nós nos cavaram oceanos…
Sejam-lhe ponte os corpos dos tyrannos!

Porque beijas teus ferros, pobre louca,
E cuidas 'star beijando cousa santa?
E, tendo em tuas mãos cousa tão pouca,
Tão tenue como a capa de uma santa,
Pensas avassalar a terra amouca,
E te ergues com vaidade e gloria tanta?
Oh! tu, cuidando os orbes abraçar,
Só ruinas abraças—Throno e Altar!

Lembre-te a voz do Cid! a atroadora
Voz que se ouvia ao longe nos combates!
Porque tu estás feita psalmeadora
No côro das egrejas—porque bates
No peito, em vez de erguer dominadora
A tua mão em meio de combates,
E livre e bella, oh Hespanha, olhar os céos
Procurando por lá teu novo Deus!