II
EU E TU
Dois! Eu e Tu, num ser indissoluvel! Como
Brasa e carvão, scentelha e lume, oceano e areia,
Aspiram a formar um todo,—em cada assomo
A nossa aspiração mais violenta se ateia…
Como a onda e o vento, a lua e a noute, o orvalho e a selva
—O vento erguendo a vaga, o luar doirando a noute,
Ou o orvalho inundando as verduras da relva—
Cheio de ti, meu ser d'effluvios impregnou-te!
Como o lilaz e a terra onde nasce e floresce,
O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,
O vinho e a sêde, o vinho onde tudo se esquece,
—Nós dois, d'amor enchendo a noute do degrêdo,
Como partes d'um todo, em amplexos supremos
Fundindo os corações no ardor que nos inflamma,
Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos,
Como se eu fôsse o lume e tu fôsses a chamma…