SCENA IV
EVARISTA, URBANO, MAXIMO E O MARQUEZ
Marquez
(saudando com affabilidade) Querida amiga... Urbano... (A Maximo) Olá! não esperava encontrar o magico...
Maximo
O magico diz-lhe adeus e some-se.
Marquez
Um momento. (Retendo-o)
Evarista
Sim, Marquez: iremos.
Marquez
Já sabem?
Urbano
A que horas?
Marquez
Ás cinco em ponto. (A Maximo) A si não lhe digo porque sei que não tem tempo.
Maximo
Desgraçadamente. Segue-se então que o não espero hoje.
Marquez
Como, se temos essa festa rija de religião e de mundanismo! mas lá vou á noite.
Evarista
(levemente zombeteira) Já cá se tem notado, com muito regosijo é claro, a frequencia das visitas do Marquez á caverna do nigromante.
Maximo
O Marquez dá-me muita honra com a sua amizade e com o interesse que toma pelos meus estudos.
Marquez
Veio-me agora o delirio das maquinas e dos phenomenos electricos... Caturrices de velho!
Urbano
(a Maximo) Parabens pelo discipulo.
Evarista
Deus sabe... (Maliciosa) Deus sabe quem será o mestre e quem o alumno!
Marquez
A respeito do mestre, sinto que elle esteja presente porque isso me priva de applicar aos seus meritos todas as mordeduras que a inveja me inspira.
Evarista
Retira-te, Maximo; vamos dizer mal de ti.
Maximo
Repaste-se a má lingua! Adeusinho todos. Adeus, tia.
Evarista
Vae com Nossa Senhora!
Marquez
(a Maximo que sae) Até á noite, se me deixarem. (A Evarista) Extraordinario homem! Sempre o admirei muito, mas agora que tenho apreciado mais de perto todas as suas qualidades, sustento que não ha outro no mundo como este seu sobrinho.
Evarista
No terreno scientifico.
Marquez
Em todos os terrenos, senhora de Yuste. Pois quê?!...
Evarista
De certo que como intelligencia...
Marquez
(com enthusiasmo) Como intelligencia, como caracter, como coração, como tudo... Quem é que é melhor?
Evarista
(sem querer empenhar-se n’uma discussão delicada) Bem, bem, Marquez... (Variando de tom) É então ás cinco, disse...?
Marquez
Em ponto. Contamos tambem com Electra.
Evarista
Não sei se a leve...
Marquez
Ora essa! Tenho incumbencia especialissima de conseguir a presença da senhorita Electra n’esta solemnidade, e já prometti que sim. Virginia deseja muito conhecêl-a.
Urbano
Á vista d’isso...
Marquez
Não me deixem ficar mal!
Evarista
Bem: conte com ella.
Marquez
Teremos muita gente, toda a nossa roda...
Urbano
Oh! vae estar brilhante com certeza.
Marquez
Com que então, até já. Tenho de ir a casa de Otumba, e passarei por cá na volta. (Ouve-se a voz de Electra pela esquerda, chalrando e rindo alegremente. O marquez pára a escutal-a)