SCENA VII

ELECTRA E PATROS

Electra

(olhando para a boneca) Pobre Lulu! como te levam á dependura! (Imitando a postura da boneca e apalpando o seu proprio braço dolorido) Que dôr que vaes ter, coitada, no hombro desengonçado! (Senta-se meditabunda) E o outro á minha espera... Como foi triste a separação! como elle chorava, estendendo-me os bracinhos!... e eu que lhe prometti voltar...

Patros

(assomando cautelosa pela esquerda) Senhorita, senhorita...

Electra

Entra.

Patros

(avançando com precaução) Não está ninguem?

Electra

Estamos sós.

Patros

Não se pilha outra occasião assim, menina! Ou agora ou nunca.

Electra

Vens de lá?

Patros

Agora mesmo... Muitos senhores que dizem numeros... milhões, bilhões e quatrilhões... E lá dentro, ninguem.

Electra

(vacillando) Atrevo-me?

Patros

(decidida) Atreva-se, menina.

Electra

Nossa Senhora do Carmo, protegei-me! (Dirige-se á sahida que dá para o jardim. Pára assustada) Espera. Não será melhor sahirmos pelo outro lado? Pode estar a tia á janella da casa de jantar...

Patros

Pode, pode! Demos a volta por aqui. (Pela esquerda)

Electra

Sim, por aqui... Estou a tremer toda... de valentia! e de medo. Ávante! (Saem a correr pela esquerda)