SCENA X
CUESTA, ELECTRA E PATROS (Assomam as duas á porta da esquerda como para reconhecer o terreno)
Electra
Cuidado, Patros... Por aqui é difficil trazêl-o.
Patros
(reconhecendo Cuesta, que vê de costas) D. Leonardo!
Electra
Chut!... O mais seguro é deixal-o no teu quarto até á noite. Que massada a tal inauguração!
Cuesta
(volta-se ao ouvir vozes) Ah! Electra...
Electra
Importunamos, D. Leonardo?...
Cuesta
Não, minha amiguinha. Quer fazer-me o favor de esperar um pouquinho... que termine uma carta? Tenho que lhe dizer.
Electra
Aqui me tem. (Áparte a Patros) Que sécca! (Alto) Vinhamos unicamente buscar um papel e um lapiz para umas contas. (Tira da meza um lapiz e papel. Áparte a Patros) Cuida bem d’elle... Que amor que elle está adormecido! Com o seu focinhinho côr de rosa e as mãos sujas, com as unhitas pretas de andar a escarvar na terra... Dá vontade de o engulir!
Patros
Com os lindos pés gordos, e a espessa carapinha d’ouro que elle tem...
Electra
(com effusão de carinho) Dá volta á cabeça da gente. Olha bem por elle, Patros; vê lá!...
Patros
Levo-lhe agora um bôlo.
Electra
Não dou licença. Prohibo rigorosamente os bôlos. Para lhe sujarem o estomago!... Leva-lhe uma sopinha...
Patros
Mas como hei de eu arranjar sopinha?
Electra
Tens razão... Ah! pede na cosinha uma taça de leite para mim.
Patros
Isso mesmo! E dou-lh’a quando acordar.
Electra
Toma lá tambem o papel e o lapiz para elle fazer os seus rabiscos... É a coisa de que mais gosta... Depois, á noite, na primeira occasião, mette-o no meu quarto, para dormir comigo.
Cuesta
(fechando a carta) Acabei.
Electra
Perdoe um momento, D. Leonardo. (Áparte a Patros) Não o deixes nem um momento... Muito cuidadinho! Se D. Leonardo me não prender muito, ainda irei dar-lhe um beijo antes de me vestir.
Cuesta
Patros, estas cartas para o correio!
Patros
Vão-se levar já.