SCENA XI
CUESTA E ELECTRA
Cuesta
(pegando-lhe nas mãos) Venha cá, sua grande extravagante... quanto me alegra vêl-a!
Electra
É muito meu amigo, D. Leonardo? Não imagina como eu gosto de que me estimem!
Cuesta
Mas precisamos tambem de ter mais um poucochinho de proposito e d’assento n’essa cabecinha... É bom que não haja nada que se nos dizer... E a mim contaram-me—pêtas já se vê!—que fervilham os namorados...
Electra
Ah! Sim, eu já lhes perdi a conta! Mas não gosto senão d’um.
Cuesta
D’um! E quem é?
Electra
Isso... lá me parece perguntar de mais...
Cuesta
Eu conheço-o?
Electra
Se conhece!
Cuesta
Fez-lhe a sua declaração d’uma maneira decente?
Electra
Não me fez declaração nenhuma, nem me disse nada... até agora.
Cuesta
E a menina ama esse timido donzel, e julga-se correspondida?
Electra
Suspeito que me corresponde... Mas não o asseguro...
Cuesta
Tenha confiança em mim, e conte-me isso.
Electra
Agora não, que vou vestir-me.
Cuesta
Falaremos depois.
Electra
(medrosa, olhando para o fundo) Se não viesse a tia...
Cuesta
Vista-se... Ámanhã será.
Electra
Sim, ámanhã. Adeus. (Corre para a direita. Movida de uma ideia repentina dá meia volta) Antes de me vestir... (Áparte) Não resisto. Vou dar-lhe um beijo. (Sae correndo pela esquerda. Cuesta segue-a com a vista e suspira)