ESPHYNGE
Traducção de uns versos de Alexandre Dumas
escriptos num leque
em que estava pintada uma Esphynge
Que me queres, Esphynge? O que procuras? diz-m'o:
Se do poeta o segredo intentas penetrar,
Desce dos annos meus ao tenebroso abysmo,
Verás o Amôr aos Vinte e aos Sessenta o Pesar.
Sim, Pesar, não de haver lançado aos quatro ventos
Com prodiga loucura o verbo triumphante,
A ambição, o dinheiro, os risos e os tormentos,
E as auroras de abril que passam num instante!
Mas Pesar de sentir dentro em meu peito agora,
Como accêso vulcão em gêlos sepultado,
Do juvenil desejo a flamma que devora,
E de não poder mais, amando, ser amado!