VIII


Não me sabes dizer, ó minha amada,

O motivo, a razão

Porque pendem a face desmaiada

As rosas para o chão?

Não me sabes dizer porque, no meio

Do vasto prado em flôr,

Das violetas cáe no roxo seio

Um véu de lucto e dôr?

Diz-me porque ouço a voz das cotovias

Hoje lugubre assim?

E porque exhalam mortes e agonias

As urnas do jasmim?

Por que motivo o sol tam claro e puro

De crepes se vestiu?

Porque um sinistro pezadelo escuro

Sobre a terra cahiu?

Bem sei eu porque vejo tudo triste

Sem luz e sem calôr...

É que tu, pomba branca, me fugiste

Meu amôr, meu amôr!